sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O cinema contemporâneo

Com honrosas excepções, quando quero ver algo moderno, capaz de me deixar boquiaberto, nada melhor do que navegar nos arquivos e ver, por exemplo, um Straub-Huillet, um Antonioni, um Bresson, um Ozu ou um César Monteiro António Reis ou António Campos em DVD ainda não passa de pura utopia...), dependendo do estado de espírito. Há mais Cinema num único plano destes senhores do que nos planos hiper-rápidos-prontos-a-comer-de-35-segundos-no-máximo de um produto made in Hollywood.
O problema - há sempre um mas nestas equações - prende-se com o facto de gostar de Cinema (tal como gostar de Literatura ou de Música) implicar a educação do olhar, de ter um espírito aberto e termos a disposição de querer ver algo diferente na forma e no modo pelo qual se conta uma qualquer narrativa. A vertigem da vida moderna é que nos leva, muitas vezes, a preferir a modorra e a preguiça, arrastando a existência até uma qualquer sala para ver uma sucessão amorfa de imagens que, uma vez acesas as luzes, já esquecemos, contrariamente ao preço do bilhete que fizemos questão de pagar à entrada.
Precisamente aquilo que o establishment* pretende: cidadão estupidificado e devida e ponderadamente neutro às barbaridades que vê.
* Não haja dúvidas que em estrangeiro soa melhor.

2 comentários:

  1. tudo verdade, mas é uma conclusão demasiado banal e óbvia. Não é só a vertigem da vida moderna, mas as prioridades de cada um. As pessoas preferem fazer esticar os ordenados a interessar-se pela cultura, que consideram ser algo secundário. Não o é, mas não mete pão na mesa nem paga a casa. E portanto não há tempo nem guita para explorar outras coisas que não aquelas que dão consumo imediato.

    De qualquer forma não me parece haver grande caminho para trilhar, a não ser tentar criar interesse através do próprio mainstream, ou de filmes menos acessíveis mas que atinjam as pessoas. Não é fácil. e ainda assim as pessoas continuarão a preferir os transformers da vida.

    As pessoas não têm olhar sobre o cinema, ouvido sobre a música, ou paciência para ler porque acham tudo isso secundário. E no fundo têm uma certa razão. Não é isso que lhes dá guita. e ter uma visão mais esclarecida do mundo parece-lhes pouco importante.comparado a ter dinheiro para pagar a casa, carro e ter cuidados de saúde, a cultura é pouco importante. E como nâo têm a noção de que pensar é fundamental, cagam nisso.

    E é isto, que o comentário já vai longo. Abraço.

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